quarta-feira, 23 de julho de 2014

Hipólito Rodrigues

HIPÓLITO RODRIGUES
Cativo por Opção

Ramão Rodrigues Aguilar (*)

Hipólito Rodrigues, nativo do interior de São Borja, da localidade de São Marcos, seus aspectos físico identificava sua origem aborígene. Iniciou ganhando a vida, ainda jovem, como remador e “lanchero”, habilidade que aprendeu com seu pai Martins, proprietário da Lancha, que fazia a travessia de passageiros para o porto Argentino, enfrente e descia ou subia o Rio Uruguai, transportando passageiros ou mercadorias, a partir da longínqua década de 30, do século passado.
Hipólito, também, foi balseiro, naqueles tempos se aprendia fazer de tudo um pouco, lenhar, carnear, charquear, tratar da criação, lavrar a terra, plantar, pescar nem se fala, e, quem sabia conduzir uma embarcação aprendia com mais facilidade trabalhar de balseiro, pois na sua época desciam muitas balsas de madeira pelo Rio Uruguai, tanto em toras como já beneficiadas em pranchões. Era um trabalho temporário, somente em épocas de cheias que desciam as Balsas. “ôba! vem à enchente/Uruguai transformou/vai dar serviço pra gente”, como diz na composição musical “Balseiro do Rio Uruguai” de Barbosa Lessa.
Por um bom tempo, enquanto durou a permanência do Seu Geraldo em São Marcos, Hipólito, como remador, tinha uma tarefa diária, de pela manhã, varar o rio e do lado Argentino buscar o pão quentinho, d’água ou a “calleta” para o Seu Geraldo tomar café, Geraldo era Guarda Aduaneiro em São Marcos, onde se originou a relação de amizade com o Hipólito, a partir da década de 20 e perdurou pela vida inteira e quando Seu Geraldo deixou o Porto de São Marco e vem para cidade ele veio junto e agregou-se de braço direito dele. 
Meu pai filho de criação de um fazendeiro da localidade de São Marcos de origem Uruguaia, este que trouxe a minha avó paterna da cidade de Saltos/Uruguai para Santo Tomé/RA, e, com a ida do seu Geraldo para aquele Passo, foi quando o pai conheceu e casou-se com minha mãe Setembrina, filha de Geraldo e Madalena Fernandes Rodrigues. Meu pai, depois de ter vivido e aprendido toda a lida da estância, também, foi remador no Porto de São Marcos sempre recordava das proezas do Hipólito.
Seu Geraldo já estava morando na Granja São Vicente, quando o Hipólito passou a trabalhar com seu filho João Pedro, a partir do final década de 50, nas lavouras de trigo, ele era o cozinheiro da granja, (cozinhava muito bem). Gostava de uma “birita”, não dispensava seu rádio de pilha, seu pertence mais valioso era seu cavalo encilhado e vivia rodeado de cachorros.
Certa feita a passeio, quando guri, na granja onde o Hipólito trabalhava, ele me esperou com uma taxada de “cueca virada”, frita na banha, coberta de açúcar. Comi tanto que me deu um ameaço de congestão. Nesta época não tinha geladeira nas granjas, o Hipólito acondicionava os fervidos (carne com osso) em latas de vinte litros, mergulhados na banha, de lá saia para panela, para temperar o feijão, fazer um ensopado de mandioca ou uma fritada para comer com arroz branco e quibebe...
A única ligação familiar foi esta, que ele escolheu para ser sua perene referência, elo de união de uma corrente de alma com a família Rodrigues.  Ele se considerava e era considerado da família.  Hipólito fez do ideário de sua vida sua dedicação exclusiva a família do Seu Geraldo, serviçal, cativo por opção, nunca conseguiu romper seus grilhões afetivos que o mantinha ligado à família Rodrigues, nem quando alçava voo e abria as asas ao mundo, logo retornava a família que escolheu para fazer parte, nem que fosse para relatar suas aventuras e desventuras, ocorridas durante sua ausência.
Em função do cargo que seu Geraldo exercia o Hipólito tinha seu transito livre, quando navegava pelo Rio afora, atracava sua embarcação em qualquer lugar, desta fronteira amiga, tanto deste lado como do outro, era seu comarcado, seu mundo, seu rio, sua liberdade... Com braços fortes na contração dos músculos, os remos impulsionavam a embarcação, Rio acima ou Rio abaixo, ouvindo o murmúrio das águas. Quando em terra firme escolhia a casa que desejava ficar da família Rodrigues, era sempre bem recebido, chegava e saia quando queria, mas não gostava de aquentar banco.
Já homem feito enamorou-se da Senhorita Iolanda, filha do “Tio Calandro”, cidadão são-borjense muito estimado, casaram-se perante as leis dos homens e de Deus, tiveram um filho e depois tudo acabou. O Hipólito voltou àquela vida que levara antes do casamento, talvez na busca de um passado distante, que havia perdido nos remansos do seu Rio e nas Ruas da velha São Borja, porém, agora, com maior intensidade.
Nesta altura a bebida tinha lhe ocupado todo o espaço, restava apenas o instinto de andar, andar... Perambulando pelas ruas sem saber para onde iria, sem resolver o que fazer com a sua solidão e sofrimento tornou-se um andarilho. E o tempo foi passando... Dias, meses, anos se passaram e o Hipólito envelheceu nesse sofrimento, sua vida havia chegado ao nível da loucura. Não tinha mais seu cavalo encilhado, sua chalana, apenas suas pernas que o conduziam a esmo.
 Muitas vezes recolhido pela Brigada Militar, retornava as ruas da cidade, até que certa noite, uma dessas de inverno rigoroso, geada grande, na busca de um refúgio se recolheu num rancho abandonado, acendeu um fogo de chão para se aquecer, sem se alimentar era movido apenas pelo álcool, adormeceu debilitado. Enquanto dormia o rancho que o abrigava incendiou e sua vida partiu entre as chamas, pobre criatura pura de coração, que nunca fez mal a ninguém.
Como diz numa passagem Bíblica: “És pó em pó te tornarás”. O Hipólito sendo pó, como todo o mortal, em cinza se tornou. O fogo purificou sua alma errante e ela passou habitar entre os barqueiros, “chalaneros” e pescadores do Rio Uruguai para protegê-los de todos os perigos.      

(*) Pesquisador Cultural.

Inverno de 2010.

A Expansão da Música Regional Gaúcha

A Expansão da Música Regional Gaúcha
Por Israel Lopes e Ramão Aguilar

                                  Ao estimado Patrão Cláudio Caetano Vieira, do CTG “Tropilha Crioula”, os demais membros da patronagem aqui presentes, Departamento Prendas e Peões, Invernadas de Danças.
                                                                      
                                  Senhoras e Senhores:

                                  Sempre que somos chamados para falar de nossas raízes culturais, e, nesta oportunidade abordando nossa identidade gaúcha, no que se refere a sua Música Regional, nosso cancioneiro é um motivo de grande estímulo para seguirmos na busca constante de nossos valores de raízes para trazê-lo ao presente e projetá-lo as gerações vindouras.
                                  Esse apego a terra, nosso atavismo, a busca constante das nossas raízes é um apanágio de todos nós. E, quando passamos a descobrir essa cultura deixada pelos nossos antepassados fizemos um processo de reconstrução e nos sentimos no compromisso de recuperá-la, fazendo com que ela continue no seu processo evolutivo sem perder a sua essência, daí a importância da pesquisa e do conhecimento.
                                  Antes do Rádio existia a “casa a Eléctrica”, na capital de todos os gaúcos, Porto Alegre, de 1913 a 1919, segundo Hardy Vedana e Paixão Cortez. Os ritmos eram variados, sendo as mais gravadas, Valsas, Polcas, Mazurca e Chote, mas também gravaram Rancheiras, Marchas, Havaneira e tangos. Rodadas na era do Gramofone. A canção “Boi Barroso” recolhida do folclore gaúcho, foi gravada pelo gaiteiro Moisés Mandadori, em 1914. O dono da Casa A Eléctrica”, se chamava Savério Leoneti, emigrante italiano. Os temas gravados pela Casa A Eléctra, eram bem variados, alguns falavam no Rio Grande do Sul, outros na cultura Caipira de São Paulo e, também, sobre temas urbanos, gravados em 78 Rotações.
                                  A Música Regional do Rio Grande do Sul, na era do Radio, teve seu início na Rádio Gaúcha de Porto Alegre, com a programação de Piraja Weyer, em 1936; Pedro Raymundo, em 1939 e Lauro Rodrigues, em 1940. Nesses programas eles procuravam apresentar os ritmos regionais, como o Chote, Rancheira, Toadas, Valsas e Polca principalmente, e nas letras eles procuravam relatar os usos e costumes gaúchos. Pedro Raymundo e seu conjunto “Quarteto dos Tauras” e, também, a “Dupla Campeira” (Osvaldinho e Zé Bernardes). Estes, na época, eram os principais artistas que interpretavam o Cancioneiro Gaúcho. Pedro Raymundo tocava a Gaita de Botão e a gaita Cromática, enquanto que Osvaldinho tocava a gaita Pianada.
                                  O cantor Pedro Raymundo, em 1943, foi para o Rio de Janeiro, quando em setembro gravou o Chote “Adeus Mariana”, que foi a primeira música gauchesca de sucesso nacional, segundo Paixão Cortez e Barbosa Lessa, no livro Danças e Andanças da Tradição Gaúcha.
                                  Em 1948, com a fundação do primeiro GTG do Rio Grande do Sul, o 35 - CTG, na Capital, Paixão Cortez e Barbosa Lessa iniciaram um trabalho exaustivo de recuperação das danças primitivas, que remontam desde o início da colonização do Rio Grande do Sul, que se encontravam quase perdidas no tempo, com exceção de “Prenda Minha”, que havia sido gravada, em 1945 por Pedro Raymundo.  Paixão e Lessa recolheram danças como: Balaio, Tatu, Maçanico, Boi Barroso, Chote Carreirinha e tantas outras que trouxeram para ser dançadas na Sede do 35 CTG.
                                  Paixão Cortez e Barbosa Lessa, também, passaram  apresentar programas gaúchos na Rádio Farroupilha de  Porto Alegre, sendo que o Barbosa Lessa apresentava o programa “Querência”, em 1950 e o Paixão Cortez, apresentava o programa “Festa no Galpão”, em 1953, nesse programa se apresentava o principal era o “Conjunto Vocal Farroupilha”. Concomitantemente o poeta Lauro Rodrigues apresentava o programa “Campereadas” na mesma emissora.
                                  Em 1955, Paixão Cortez e Darcy Fagundes criou o “Grande Rodeio Coringa”, na Rádio Farroupilha. Em 1957, Paixão Cortez saio da Rádio Farroupilha e foi para a Gaúcha, no seu lugar ficou Dimas Costas, mas este, também, logo passou para a Rádio Gaúcha e, junto com o Paixão Cortez criaram o programa “Festança na Querência”. Darcy Fagundes com a saída do Dimas, ele convidou o Luiz Menezes e apresentaram o  programa “Rodeio Curinga” até a década de setenta.
                                  Com a proliferação dos CTGs em todos os recantos do Rio Grande do Sul, também foram criados programas gaúchos apresentados pelas Entidades tradicionalistas. Somados a esses programas das Rádios Gaúchas e Farroupilha e tantas outras que foram surgindo, também na capital houve um grande incentivo aos artistas, que interpretavam a música Regional Gaúcha. Surgiram os Irmãos Bertussi, em 1955. Outros artistas importantes da época foram “Os Gaudérios”, “Os Minuanos”, “Trio Charrua”, “Os Carreteiros” e tantos outros foram surgindo.
                                  Artistas individuais como o Teixeirinha, Gildo de Freitas, Ademar Silva e outros. Duplas, como a “Dupla Mirim” e outra igualmente importante “Norinho e Edires Nunes”.
                                  Na década de sessenta surgiu em São Borja, “O Angueras – Grupo Amador de Arte Nativa”, com o tema de “Rio e Remo”, nesta época, também, surgiram na Região Missioneira Noel Guarany, Cenair Maicá, Jayme Caetano Brau e Pedro Ortaça, que produziram músicas com o tema ligado a Região Missioneira – guaranítica.
                                  Com a criação da Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana, em 1971, foi o marco da proliferação de festivais nativistas, e com eles o surgimento de um grande manancial de músicos, letristas, interpretes, finalmente consolidando a nossa Música Regional Gaúcha, além dos artistas participantes dos festivais, se destacaram, levando nossa cultura musical para além das fronteiras do Estado. Convém destacar, também, o surgimento de exímios jovem instrumentistas que passaram a integrar conjunto para fandango e apresentação de espetáculos.
                                  Hoje um dos ritmos mais tocado é a Vaneira, ritmo que começou a ser executado por Reduzino Malaquias, Tio Bilia Missioneiro, Dedé Cunha, entre outros.
                                  Com essa expansão e Consolidação da nossa Música Regional Gaúcha, tem sido o “sinuelo” para manter nossa Identidade Gaúcha. Somos respeitados em todo o território nacional por ter uma cultura própria e acima de tudo o culto  desses valores da Terra.
                                  Embora o surgimento de outros meios de comunicação de massa, como por exemplo, a televisão e a Internet, o Rádio continua sendo importantíssimo na preservação de nossa cultura de raiz. É o meio de comunicação que atinge diretamente o povo.
                                  Considerando a diversidade dos meios de relacionamentos na internet, os blogs, os Site, E-mail, as comunidade de relacionamento virtual tem sido um eficiente canal de divulgação e organização dos nossos valores culturais mais importantes que a televisão, quando temos apenas um programa tradicionalista o Galpão Crioulo na RBS TV.
Obrigado!

(Para o “Posadão” promovido pelo CTG “Tropilha Crioula”, envolvendo os Departamentos artísticos, Prendas, Peões e Invernadas). São Borja, 13/04/2013.


quarta-feira, 9 de julho de 2014

A Família Ksata em São Borja

A Família Ksata Em São Borja
(*) Ramão Rodrigues Aguilar
O Senhor Masayuki Ksata, imigrante japonês, nascido em 12 de junho de 1908 e falecido em São Borja em 19 de fevereiro de 1990 foi oficial do Exército daquele País, vivenciou a IIª Grande Guerra Mundial, época em que serviu na Coreia, que era governada pelo Japão, antes da sua divisão. Veio para o Brasil, ingressando pelo porto de Rio Grande, com sua família, em 2 de abril de 1957, de lá vieram direto para o interior de Uruguaiana, na Estância “São Pedro”, de propriedade de João Batista Luzardo, O Embaixador.
Com ele veio a sua mulher Mastuko (Nascida em 18/01/1921 e falecida em 25/05/1992 em São Borja) e os filhos: Hishi (falecido); Tadashi, mais conhecido por Darci, mora em São Borja; Manabo, após um período de trabalho no Japão retornou a São Borja; a  Yoshiko, mora no Japão e a Nastuko, constituiu família e mora na cidade Gaúcha de Cachoeira do Sul.
Juntos com eles Imigraram trinta e uma famílias nipônicas, para se dedicar ao plantio de arroz, na Estância São Pedro, onde cerca de um ano trabalharam em situações precárias, sem remuneração, até que foram liberadas do contrato e acabaram se dispersando. Em número maior sedeara-se em Santa Maria e Porto Alegre. Seu Ksata se aventurou em permanecer na fronteira oeste do Estado, abdicando a sua comunidade restringiu sua convivência à família.
Deixando Uruguaiana foi para Alegrete, onde moraram dois anos, mais ou menos e depois venho para o interior de São Borja e se instalou na granja do Senhor Júlio Azambuja, próximo a “Inhú-Porã”. O outro local foi o Bairro do Passo de São Borja, em janeiro de 1962, na Chácara do Senhor Miguel Pacheco, havida da área maior da Granja São Vicente, Rua Patrício Petti-Jean, quem vai ao Cemitério do Bairro do Passo, em frente da antiga Fábrica de Linho Saragossa, onde os conheci.
Dos dois filhos que permaneceram em São Borja, junto com os pais adotaram esta terra missioneira como sendo suas, porém o silêncio ou esquecimento das origens estão subjetivamente em cada um deles, talvez porque eram crianças quando vieram para o Brasil ou fazem questão de esquecer suas lembranças, de um Japão arrasado e vencido pela guerra.
O Tadashi (Darci) trabalha com viveiros de mudas de árvores frutíferas, ornamentais e de reflorestamento, inclusive, floricultura e acessórios para decorações de jardins, também, hortigranjeiros. Está localizado na Rua Ori Rei Dornelles nº 1225, próximo a Rodoviária de São Borja. Ele me contou que sua família passou fome até se adaptar ao novo tipo de alimentação, pois estranhou o uso da carne e seus derivados, a graxa, a banha, o leite... Daí teve que aprender a comer estes alimentos, pois no Japão não consumiam estes produtos e sim se alimentavam a base de peixe, grãos, legumes e temperos da culinária japonesa, que aqui não havia comercialização, exceto o arroz.
O Manabo, após ter ido para o Japão em duas temporadas de trabalho, retornou e adquiriu uma chácara no interior de São Borja e passou a fazer o que já fazia antes, produzir hortaliças e lavouras, em pequena escala, como a mandioca, o milho, a batata, moranga, abóbora, etc. Tudo no regime familiar, ainda traz seus produtos cultivados para feira na cidade, todas as segundas, quartas e sábados, para ser comercializados ao lado da Igreja Metodista, na Rua Barão do Rio Branco. Agora com o casal de filhos formados e independentes, ele vendeu sua chácara e se limitou ao plantio apenas de hortigranjeiros em um terreno na cidade.
Voltando ao saudoso Masajuki Ksata, no ano que foi residir, com sua família, próximo lá de casa, na referida Chácara, morou também em frente em uma das unidades residencial da antiga fábrica de Linho Saragossa, onde residia, quando a fábrica funcionava, seu mecânico Senhor Fernando Gonçalves. Ainda tenho uma lembrança bem lúcida desse período, apesar de minha tenra idade.
O Senhor Miguel Pacheco foi piloto do Presidente da República João Goulart e sua Chácara ficava lindeira ao pesqueiro do Presidente e tinha uma área de terras de doze hectares (12he), onde o Senhor Ksata organizou sua horta e grande plantação de tomate, com uma tecnologia, então, em parte, desconhecida pelos são-borjenses, mas logo, seu empreendimento, se propagou por toda a parte, vindo pessoas do centro, dos bairros da cidade e até do interior para conhecer, comprar e admirar as suas plantações.
Naquele tempo estes produtos não eram tão valorizados como atualmente, talvez pela população desconhecer a importância destes alimentos e, também, por falta de quem se dedicasse a essa cultura, pois a maioria da ocupação do espaço produtivo era com a pecuária extensiva e a outra parte com a cultura de arroz, trigo, milho e linhaça, mais tarde a soja e o sorgo.
Não havia uma conscientização como em nossos dias, hoje massificada pelos meios de comunicações, dos benefícios dos produtos hortifrutigranjeiros para saúde. Felizmente nossos imigrantes, não só o japonês, os demais, também, nos deram esta importante contribuição, ou seja, uma produção primária diversificada, ocupando um pequeno espaço de terra e uma alimentação saudável.
Estes pioneiros, além de nos ensinar a comer melhor, inspiraram projetos na área da agricultura familiar, com abrangência social e econômica, de interesse dos órgãos governamentais, ligados à produção primária, atualmente com grande incentivo, através de disponibilização de recursos financeiros e tecnológicos visando o crescimento e desenvolvimento da agricultura familiar.
Volto ao meu velho e saudoso amigo para contar que aos domingos à tarde eu fazia plantão, em frente de casa, para vê-lo passar desfilando a cavalo, com o seu uniforme militar do Exército Japonês, com suas medalhas e honrarias.  Sua estampa lembrava os filmes da II Guerra Mundial, que mais tarde vim assistir lá no Cine Vitória. Ele estava ali ao alcance dos olhos, um legítimo guerreiro... O sentimento de grande admiração por aquela figura totalmente diferente da nossa raça, se não fosse, ele, meu vizinho, que do alto da sua civilização milenar parava para me dispensar atenção, com seu sorriso franco, diria que era uma figura estranha, numa época sem a informação de hoje em dia.
 Seu Masayuki Ksata era uma atração especial para mim, apenas um menino diante dos mistérios do mundo, evidentemente estranho para minha época, a desfilar em seu cavalo em grande estilo militar, certamente revivendo seu amor por um Japão, que havia ficado para trás, veio para América símbolo de quem sonhava com um mundo novo... Montava um enorme cavalo para sua estatura pequena, porém sorridente e muito simpático, cumprimentava a todos: “konnichiwa” (oi), acenando e na despedida baixava a cabeça, inclinando levemente o corpo dizia: “sayonara” (Adeus) e seguia em frente.
(*) Pesquisador Cultural

Primavera de 2008.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

FESTIVAL RONDA DE SÃO PEDRO

CRONOLOGIA DO FESTIVAL RONDA DE SÃO PEDRO
(*) Ramão Aguilar

VINTE SEIS EDIÇÕES PRODUZINDO A MÚSICA NATIVISTA EM SÃO BORJA

1982/Junho - A patronagem do Centro Nativista “Boitatá”, preocupada em intensificar as atividades promocionais, a fim de reforçar o clima festivo vivenciado pela comunidade, em função das comemorações dos 300 anos de “Fundação Histórica de São Borja” /1982. Incluiu na programação da 2ª Ronda de São Pedro o CONCURSO DE MÚSICAS JUNINAS, oportunizando, deste modo, a participação dos valores artísticos musicais da terra, porquanto a valorização do compositor letrista, musicista e interprete vocal, tendo sido levado a efeito na Sede Campeira “Geraldo Rodrigues", da Entidade. O nome do concurso determinava a temática única e os ritmos lembravam nossa música de extração sul-rio-grandense.
Nos anos subseqüentes a “Ronda” permaneceu na Sede Campeira, porém o festival de música passou a realizar-se na sede social da entidade sita na Avenida Francisco Miranda, 225, bairro do Passo.
O motivo da mudança de local da realização do concurso, que mais tarde também mudou de nome, passando a chamar-se FESTIVAL RONDA DE SÃO PEDRO, foi à falta de infra-estrutura para este tipo de atividade na Sede campeira, o que sobejamente existia na sede social: palco moderno com mais de 200 metros de área construída em salão com mais de 1600 metros. Uma vez que as apresentações musicais sempre foram realizadas à noite e se estendiam até a madrugada, havia a necessidade de melhor acesso e de condições de transporte para as pessoas que vinham e iam do centro utilizando ônibus, sendo este problema resolvido a partir de então.
Assim nasceu num momento histórico para o movimento Nativista do Rio Grande do Sul, pois nesta época que os jovens voltavam-se cada vez mais para os valores artístico-culturais de raízes, optando desta maneira pelo Movimento Nativista e, mesmo que os organizadores do festival pretendessem uma abrangência apenas local, desde 1º Festival houve uma característica regional, pois teve a participação daquele que nunca deixara de participar de todas as demais edições: "Grupo Parceria", da cidade de Uruguaiana, dirigidos pelos irmãos João e Adão Quintana Vieira.
A partir do 1º Festival, foi instituído o Troféu São Pedro, para premiar o 1º lugar, ou seja, a música campeã, confeccionado pelo artesão Ismar Dorneles da Rosa que mostrava em sua criação, numa única tora de madeira, o Santo dentro de uma capelinha, devidamente pilchado e com a estola (paramento religioso). As demais canções não recebiam premiação alguma.
Sua arte premiou os vencedores em diversas edições. Com o aumento no número de premiações, os troféus passaram a serem confeccionados pelo artista plástico Thadeu Martins (poeta, escritor, compositor e artista plástico).
1983, 1984, 1985 e 1986 – Junho - realizaram-se o Festival em sua 2ª, 3ª, 4ª e 5ª edições, já na sede social do Centro Nativista Boitatá. O precursor do Festival Ronda de São Pedro vai ocupando espaço na área da cultura musical sul-rio-grandense. Pequenino e despretensioso ia crescendo a cada edição, contrapondo-se a premiação modesta (quase inexistente), mas que aumentava um pouquinho a cada realização.

1987, 1988, 1989, 1990, 1991 – Junho - a partir da 6ª Edição em 1987 o Concurso de Músicas Juninas recebeu a denominação de “Festival Ronda de São Pedro” e, também, altera suas finalidades e objetivos sem, contundo perder sua identidade, pois, continua até os dias atuais premiando o "O Melhor Tema Junino". Porém, agora abrindo o festival, fugindo das polêmicas e linhas que, de certo modo, amordaçavam a criação poética e musical dos participantes.
1992 – Junho, em sua 11ª Edição o Festival passou a ter as doze composições finalíssimas gravadas em LPs, pelo Stúdio Máster Gravações Produções Ltda. A sonorização coube a PROVOX .
As músicas vencedoras formam as seguintes: 1º lugar, Sonhado Caminho de Miguel Bicca, Rodrigo Bauer, Juliano Bicca e interpretação de Cezar Lindemayer; 2º lugar: Cavalos do Tempo, de Thadeu Martins, Elton Saldanha e Juarez Chagas, na interpretação de Elton Saldanha; 3º Sol, Água e Pedras, de Miguel Bicca, Luiz Carlos Miranda Batista e Odemar Gerhardt e na interpretação de Cezar Lindemeyer; Melhor Tema Junino, Procissão João de Apparício Silva Rillo e Elton Saldanha, na interpretação de Elton Saldanha; Música Mais Popular, Cria do Pago, de João Pantalião Leite e Luiz Carlos Alves; Melhor Indumentária, Grupo Flor e Truco; Melhor intérprete Cezar Lindemeyer e por fim o Melhor Instrumentista foi o Ricardo Freire.
1993 – Junho - em sua 12ª Edição com ao lançamento do disco da 11ª houve um incremento na participação para o Festival que contou com a gravação de Bobby Studio com produção e direção geral do São-borjense Ricardo Freire e sonorização da Provóx Sonorização, fotro de Bira Azevedo e Capa de Pedro Conceição da Silva.
1994 – Junho – em sua 13ª Edição com gravação do Bobby Studio e sonorização de PROVÓX Sonorizações. A música campeã do Festival foi escolhida pelo público presente como a Mais Popular, Na Rodilha do Laço, uma composição de Kuka Pereira, Mário Bárbara e interpretação do saudoso César Passarinho; 2º lugar, Quando me Chamam de Índio, Letra de Rodrigo Bauer, música de Odemar Gerhardt, na interpretação de Cezar Lindemayer; 3º lugar Outras Rondas, composição de Darci Zuirtes, Jorge Prado, Jorge Freitas; Melhor tema Junino, Noites de Ronda.
1995 – Junho – 14ª Edição LP gravado pela Bobby Studio e sonorização da PROVÓX Sonorização. Foi a partir deste festival a instituição do troféu Apparcio Silva Rillo, a fim de premiar a Melhor Letra entre as doze composições finalíssimas, recebeu a referida distinção a Letra da composição Lições de Vida e Rio de Roberto Paines e Niriom Bernardes Machado. A grande vendedora trás por título A Milonga e o Milongueiro, composição de Paulo Flech, Mano Oliveira, na interpretação de Flávio Hassen; 2º lugar, Intrevero de Trova de Robson Barenho e Chico Sarat; 3º lugar Lições de Vida e Rio; Música Mais Popular, No Tom Maior do Uruguai; Melhor interprete, Ângela Gomes, Melhor Instrumentista, Sergio Wagner de Souza.
1996 – Junho – Em sua 15ª Edição a partir deste Festival que se passou a gravar a Ronda em CD com advento da nova tecnologia, isso serviu para marcar o avanço dos quinze anos de Ronda, embora o Compacto Disco ainda não estivesse polarizado. O disco foi gravado pela unidade móvel do Studio Máster de Santa Maria-RS. Neste ano foram premiadas as seguintes composições: 1º lugar, o Mate de Quem se Vai, letra de Rodrigo Bauer e música de José Lewis Bicca e interpretação de Pedro Julião e Os Angüeras, numa justa homenagem ao saudoso Apparício Silva Rillo; 2º lugar, Meus Caminhos, Letra de Luiz Carlos Miranda Batista, música e Odemar Gerhardt e interpretação de Cezar Lindemeyer; 3º lugar, De tua Janela, letra e música de Otorino Covolo e interpretação de João Quintana Vieira e o Grupo Parceria, música mais popular, Campeando Ilusão, letra de Dileta Dorneles, música de Jorge Dornelles e Interpretação de Ângelo Franco. Melhor Tema Junino, Ronda da Paz, Melhor intérprete, Cezar Lindemeyer e melhor instrumentista, Márcio Rosado.
1997 – Junho – 16ª Edição a grande campeã foi de Antigamente, letra, música e interpretação de Juliano Jawosky, sendo também premiada como a melhor letra, 2º lugar, Desassossegos, letra de Vainer Darde e música e interpretação de João Chagas Leite; 3º Lugar, São Borja Ainda Sou Tua”, letra, música e interpretação de Chico Sarat; música mais popular E Dia de São Pedro de Lira Covolo e Luiz Bastos, destacando-se como melhor tema junino; melhor instrumentista, Marcelo Caminha, melhor intérprete, Cezar Lindemeyer, que foi o primeiro a receber o Troféu Pimpim em homenagem ao cantor Carlos Moreno (Pimpim). Gravação do CD por Ricardo Freire numa gravação de Bobyy Studio.
1998 – junho – 17ª Edição a grande campeã foi Canto Negro, letra de José Antonio Pereira, música de Luiz Edgar Pereira e interpretação de João Quintana Vieira e os Tapejaras; 2º lugar, o Cantor e o Violão, letra e música de Raul Bósio,e interpretação de Analese Severo; 3º lugar, Golpes, letra de Carlos Omar Vilela Gomes e música de Evandro Zamberlam e interpretação de César Oliveira; melhor letra, No Entardecer de Minhas Esperanças, letra de Rodrigo Bauer; melhor interprete Anelise Severo, melhor instrumentista Marcelo Caminha e o premio de música mais popular coube a composição Solo Missioneiro, letra de Otorino Covolo, música de João Barbosa e Ventuir Cáceres, na interpretação de João Barbosa. O Selo é da Bobyy Studio.
1999 – Junho – 18ª Edição a música vencedora Herança, letra de Jorge Nicola Prado, música de Leandro Charrua e Jorge Nicola Prado na interpretação de Jorge Freitas, também premiada como a melhor letra; 2º lugar, Águas do Piquiri, letra de Miguel Bicca, música de Sabani de Souza e interpretação de Jorge Freitas; 3º lugar, Canto e Prece a São Miguel, letra de Sadi Ribeiro, música de Odemar Gerharddt e interpretação de Cezar Lindemeyer; música mais popular, Cortando o Brasil no Meu, letra de João Sampaio e Quinde Grande,música e interpretação de Marinez Siquiera; melhor interprete, Jorge Freitas;melhor instrumentista, Marcio Rosado; melhor idumentária, Jerri Terres.Gravação de Bobby Studio e sonorização da Pro - Vox.
2000 – junho – 19ª Edição teve como grande vencedora que também recebeu o troféu Apparicio Silva Rillo e melhor poesia, A Sombra da Cruz de Gujo Teixeira e Erlon Péricles, com interpretação de Vinícios Brum; 2º Lugar, Rumo do Tempo, letra de Rodrigo Bauer, música de Mário Bárbara, defendida por João de Almeida Netto; 3º lugar Quando o Amor Chega Pedindo um Mate, letra de Vaine Darde, música de Sabani de Souza e interpretação de Juliana Spanivello, também apontada como a melhor intérprete do festival; música mais popular, Varando o Uruguai a Remo, melhor instrumentista, Arthur Bonilla, melhor indumentária Valdomiro Maicá; melhor tema junino, Junina Tradição.
2001 – Junho – 20ª Edição, a vencedora Nos Bailes da Vila Branca, letra de Aldemir Disconzi e Valter Fiorensa e interpretação de Nenito Sarturi; 2º lugar, Pedido a São Pedro de Venícius Brum; 3º lugar, Pra Sonhar, de Erom Carvalho, Luiz Carlos Ranoff e interpretação de Miguel Marques; música mais popular Ta Feio Mas Ta Pareio, melhor tema junino, Oração a São Pedro; melhor interprete Nenito Sarturi, melhor instrumentista, Arthur Bonilla; melhor indumentária,Grupo Parceria.
2002 – Junho – 21ª Edição, música campeã, Aguaceiro, de Paulo Ricardo Costa e Nilton Ferreira e interpretação de Nilton Ferreira; 2º lugar,A Final Por que Será, Miguel Bica e Cezar Lindemeyer e interpretação de Cezar Lindemeyer; 3º lugar, São João Gaúcho de Erlon Péricles e interpretação de Perisca Greco; melhor letra, Aguaceiro; melhor interprete, Miguel Marques; melhor tema junino, São João Gaúcho.
2004 – Junho – 22ª Edição, realizada com a aprovação da LIC(Lei de Incentivo a Cultura). Primeiro Lugar, Recomeço de Rodrigo Bauer e Mário Bárbara, interpretação de Chico Sarat; 2º lugar, Companheira, de Jorge Nicola Prado, Chico Ribeiro e Ângelo Franco e interpretação de Jorge Freitas; 3º lugar, O Passado Não Calou, de Carlos Omar Vilela Gomes e Toni Brum, interpretação Ângela Gomes;  melhor tema junino, Magia do Brasileiro, música mais popular Mal Agradecida, melhor letra Recomeço de Rodrigo Bauer.
2005 - Agosto – 23ª Edição foi introduzido a Fase Local para participantes residentes ou domiciliado em São Borja. Classificação da música: 1º lugar, Das Brancas Almas da Estância de Chiru Antunes e Marcelo Oliveira, interpretação de Marcelo Oliveira; 2º lugar, O Tempo e o Vento de Rodrigo Bauer e Jorge Freitas, interpretação de Jorge Freitas; 3º lugar,Bem Vinda de Miguel Bicca, Caeco Batista, Sabani Felipe de Souza e Erlon Péricles e interpretação de Miguel Bicca e Leôncio Severo; melhor tema junino, No Costado da Fogueira, música mais popular, Pacholeadas;música mais popular da fase local, Patacoeira, melhor letra, Das Brancas Almas da Estância.
2006 – Agosto – 24ª Edição, foi inaugurado o momento infanto-juvenil na fase local. O evento foi realizado com recursos aprovados pelo Conselho Estadual de Cultura, através da Lei de Incentivo a Cultura-LIC. Classificação: lº lugar, de Pampa e Lonjura, Rodrigo Bauer e Erlon Péricles, interpretação de Perisca Greco e Cristiano Quevedo; 2º lugar, Comparsão de Janeiro, de Evair e Juliano Gomes, interpretação de Marcelo Oliveira; 3º lugar, Pelos Caminhos de Deus, de Adriano Silva e Cristiam Camarco e interpretação de Luiz Marenco; melhor tema junino, De Fogueiras e Balões; música mais popular, Na Crina, música mais popular da fase local, Alho Macho; melhor música infanto-juvenil, sementes de Gratidão, melhor letra, O Sangue, de Rodrigo Bauer.
2007 – 25ª Edição, tendo sido julgado não prioritário pelo Conselho Estadual de Cultura, os promotores tiveram que buscar recurso nos poderes públicos Municipais e empresas locais. Classificação: lº lugar, Reparando a Vida, letra de Flávio Saldanha, música e interpretação de Tuni Brum; 2º Lugar, Uma Arte de Campo, letra, música e interpretação de Julio Azambuja; 3º lugar, O Erro, letra de Carlos Omar Vilela Gomes, música de Anderson Mireski, interpretação de Juliana Spanivello; Melhor música infanto-juvenil, Porto dos Sonhos, melhor tema junino, Fogueira dos Sonhos; melhor letra, Reparando a Vida; música mais popular, Como Diz o “Outro”, Como diz o “Cosa”; melhor intérprete, Marcio Trindade, melhor instrumentista, Marcelo Freiras.
2008 – 26ª Edição, esta com recursos aprovados pelo Conselho Estadual de Cultura, através da Lei de Incentivo a Cultura, cujo projeto foi elaborado e executado pela Produtora Cultural Aline Ferrão- Produções Culturais.
(*) Pesquisador

NÍVIA FONSECA MENDES

NÍVIA FONSECA MENDES nasceu no interior do Município de São Borja. Professora de Grau Superior do Magistério Público Estadual, aposentada. Além de suas atividades no Sistema de Ensino, exerceu várias funções na Administração Municipal. Na SMEC, foi Supervisora Escolar, no Governo de José Pereira Alvarez; Foi Chefe de Gabinete do Prefeito João Carlos Mariense Escobar; Foi Supervisora dos CEBÈNS e CRECHES no Governo de Ildebrando Aquino Guimarães; Foi Assessora de Turismo, por poucos meses, no Governo de Luis Carlos Heinze. Por último, foi assessora da Presidência, na Câmara Municipal de Vereadores, Sessão Legislativa 1998, presidida pelo Vereador Sidnei Pires Gerhardt.
         Nas atividades extra-profissionais é conhecida como letrista e poeta. Como Letrista, possui bom número de composições premiadas no Concurso de Músicas para o Carnaval “Apparicio Silva Rillo”, evento realizado anualmente em São Borja.
         Na poesia, possui trabalhos seus publicados na Antologia de Poetas São-borjenses, Coleção Tricentenário editada pela Martin Livreiro – 1982 e na Antologia de Cidades Brasileiras, pela Shogun Editora e Arte Ltda. – 1986, Rio de Janeiro.
         É co-autora de UNI VERSOS, livro de poesias, em parceria com a poeta MARIA THEREZA VELOSO, edição da Palotti – 1984, Santa Maria.

Ramão Aguilar – Pesquisador Cultural

Silvia Naslund Soler

SÍNTESE BIOGRÁFICA

Silvia Naslund Soler, nasceu em Giruá – RS, em 21 de dezembro de 1941 e é filha de Algot e Hilda Maria Naslund. Aos cinco anos veio residir em São Borja e aqui cresceu, estudou, casou e trabalhou. Seus Filhos: Lílian, Cristina e Alexandre.
1965 – Buscando uma profissão concluiu o então “Curso Normal”,
(formação de professores), na Escola Normal Sagrado Coração de Jesus.
1966 – Ingressa, mediante Concurso Público, no quadro do magistério municipal de São Borja.
1973 – Nomeada como professora do quadro do Magistério Estadual, após aprovação em Concurso Público.
1974 – O Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Educação, concedeu a cedência para exercer atividades junto à municipalidade.
1976 – Conclui o Curso de Pedagogia (3º Grau) na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Borja.
1993 – Aposentada - (vinte sete anos de serviço)-.
Enquanto estudante, na Escola Sagrado Coração de Jesus fez parte da diretoria do Grêmio Estudantil Madre Maria Antonia – GEMMA -, daquela entidade, bem como da Diretoria da União Estudantil de São Borja - UESB. 
         Ao longo de seu tempo de serviços prestados como professora, teve pouca como “Regência de Classe” junto a escolas, mas muito em atividades ligadas diretamente à educação, à cultura de crianças, jovens e comunidade em geral. Foram dez anos de dia-a-dia na Biblioteca e Museu Municipal, orientando alunos em suas pesquisas, sugerindo leituras, recebendo visitas, promovendo exposições e como conseqüência e indicação, presidindo a Maratona Cívica – Etapa Municipal de um Concurso Nacional e por nomeação por Decreto Municipal membro da Comissão Organizadora da Feira do Livro de São Borja.
         Exercendo funções junto ao DAC/SMEC, trabalhou na organização e realização de Shows Musicais, gincanas, concurso variados, feira de livro, apresentações teatrais, e tantas outras atividades ligadas à cultura.
         Fez parte das Comissões Organizadoras do carnaval de Rua e do Concurso de Músicas para o carnaval, promovidos pela Prefeitura Municipal de São Borja, em duas oportunidades.
         Por força de atividades educacionais, culturais e recreativas, aceitou fazer parte da primeira diretoria do Centro Cultural de São Borja, eleita em 29 de outubro de 1985. A partir daí permaneceu até o ano 2000, neste período não fez parte de uma das gestões, tendo desta trabalhado como colaboradora. Ramão Aguilar - CENTRO CULTURAL DE SÃO BORJA, 20 de abril de 2008.

WANDERLEI NEGRI WEBER

MENSAGEM PARABENIZANDO O AMIGO WANDERLEI NEGRI WEBER, PRESIDENTE DO CENTRO CULTURAL DE SÃO BORJA, PELO SEU ANIVERSÁRIO – 28/12/2007.



“AFINAL, PARA VIVER, O HOMEM PRECISA TER UM IDEAL!”

Segundo o verso do poeta Altino Martinez, do seu Livro “Sementes a Esmo”, “Afinal, para viver, o homem precisa ter um ideal”, é o que mais se adequou ao nosso homenageado. É com essa conclusão poética, que pretendemos fazer nossa simples homenagem, mas de coração, ao nosso amigo e colega do Centro Cultural, o aniversariante, que está colhendo mais uma flor no jardim da existência.

E, por falar em flor, vocês sabiam que o Colibri, o nosso beija-flor, sessenta por cento do peso do seu corpo, corresponde ao tamanho do seu coração, o que não deixamos por menos, ao medir o tamanho do coração do seu Weber, com relação aos seus amigos. “Seu Weber” é assim que  costumamos saudá-lo. Mas nem só de coração grande vive o Colibri.

O Seu Weber, o Beija-flor da cultura São-borjense, não se cansa de revoar por esta cidade de São Borja, cumprindo seu destino, ou seja, a busca da flor, sinônimo da arte da criação, que é bela e por ser bela nós devemos  cultivar. Essa busca pela flor gera uma sublime causa, a causa da cultural, e, com isso um objetivo, ou seja, contribuir com dias melhores para todos, que querem crescer evoluir, se tornar cada vez mais gente, humanizado, com aspiração, com princípios, o que só se encontra no exercício da vontade, do aprender, com oportunidade para todos.

Um tanto utópico, muitas vezes, considerando a precariedade, como o Seu Weber fala, tanto de recursos como de apoio por parte de quem deveria promover a cultura e não o faz, mas ele não desiste, procura seus amigos e continua inspirando a vontade de realizar.  Muitas vezes, em uma primeira análise nos parece um tanto incomodo, mas refletindo melhor vimos nele um exemplo e uma motivação para, ainda, tentar mais uma vez nos superar diante das adversidades, que a vida nos impõe para quem quer realizar em benefício de todos. Segundo nosso colega José Norinaldo,“esses todos”, que muitas vezes nos parece não estarem interessados na nossa causa. Nem por isso nosso aniversariante desiste, segue tocando as flores, quem sabe um dia elas se tornarão perenes a encantar o jardim da cultura. Apanágio dos sonhadores.
Mas o mais importante disse tudo é o fato que nos tornamos A TURMA BIRIVA DE WANDERLEI WEBER, não é um plágio, pois foi pronunciado pela primeira vez pelo Israel, autor do Livro a “Turma Caipira de Cornélio Pires, o qual passa a levar a chancela de criador de Turmas”. O que não é novidade, pois sabemos que desde a pré-história, os homens se juntavam em turmas para poder se defender dos grandes animais, era uma questão de sobrevivência.
Ao passar do tempo, de caça passamos a caçador, de presa a predador e nos tornamos dinossauros em defesa do nosso patrimônio cultural, segundo nosso amigo Joaquim Monks, que pela primeira vez comparou o Israel com um dinossauro, mas para dizer dessa luta em prol da cultura.
E, para criar uma nova figura, agora sim, plagiando o Monks, quero estender o comparativo ao nosso amigo Seu Weber, pois ele também é um desses bichos pré-histórico, engajado na mesma luta, na mesma causa, passando pelas mesmas adversidades, contudo bebendo da mesma taça da doçura, com a consciência tranqüila do dever cumprido.

Muito Obrigado!

Ramão Aguilar.